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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
segunda-feira, 9 de março de 2015
Adélia Prado - Oráculos de maio
Olá
Pessoas !
Bem
como sempre eu fico um tempão sem postar nada e apareço igual fantasma.
Mãss...
Hoje
eu reli um dos livros da Adélia Prado, o “ Oráculos de maio”, e gostaria de
trazer algumas poesias aqui pro Bobeira. Bem, eu não sei se vocês sabem, mas
não sou muito chegada em poesia. O real motivo desse post é porque é super
difícil encontrar poesias assim na internet. Por isso vou deixar um pouco da
autora, o que está na contra capa e vou deixar algumas informações sobre o
livro, já que este é um dos seus maiores sucessos.
Adélia
Prado
“
Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, é formada em filosofia. A
Siliciano publicou Cacos para um vidral, Os componentes da banda, O homem da
mão seca, Solte os cachorros, Poesia reunida e, mais recentemente, Manuscritos de Felipa.
Oráculos
de maio
O
livro vai trazer mais uma vez poemas acerca da religião, do culto às coisas
simples e à reflexão. Há também poemas que problematizam a própria poesia. É
dividido em seis partes: Romaria, Quatro poemas no divã, Pousada, Cristais, Oráculos de maio e
Neopelicano.
Vou
deixar aqui o poema que mais gostei de cada parte: ( ou dois se forem pequenos J )
Romaria
Em
homenagem à minha amiga Aline:
Mural
Recolhe
do ninho os ovos
a
mulher
nem
jovem nem velha,
em
estado de perfeito uso.
Não
vem do sol indeciso
a
claridade expandido-se,
é
dela que nasce a luz
de
natureza velda,
é
seu próprio gosto
em
ter uma família,
amar
a aprazível rotina.
Ela
não sabe que sabe,
a
rotina perfeita é Deus:
as
galinhas porão seus ovos,
ela
porá sua saia,
a
árvore a seu tempo
dará
suas flores rosadas.
A
mulher não sabe que reza:
que
nada mude, Senhor.
Mulher no cair
da tarde
Ó
Deus,
não
me castigue se falo
minha
vida foi tão bonita!
Somos
humanos,
nossos
verbos têm tempos,
não
são como o Vosso,
eterno.
Quatro poemas
no divã
Shopsi
Hoje
completa um ano
que
estou fazendo terapia.
-
E o que você conta ao doutor ?
-
Que tenho medo panifóbico
de
ver minha mãe morrer.
-
Só isso ?
-
Só. Coisa à-toa,
feito
não comer três dias
porque
vi formiga de asas,
isso
eu não conto mesmo,
só
converso coisa séria.
-
E ele?
-
É muito paciencioso,
diz
que meu caso é difícil
mas
tem cura com o tempo
e
qualquer dia me convida
para
uma sessão no sítio.
-
Você topa?
-
Tou pensando,
vai
que aparece lá
uma
formiga de asas
e
apronto aquele escândalo,
me
diz com que cara eu volto
no
consultório do homem !
-
Mas ele está lá pra isso.
-
Isso o quê ?
-
Tchauzinho, Catarina, tchau.
Cristais
Em
homenagem à minha amiga Jenny:
À Mesa
Faca
oxidada contra a polpa verde,
é
roxo o amor.
De
amoras, não.
De
dor.
Arte
Das
tripas,
coração.
Oráculos de
maio
Estação de maio
A
salvação opera nos abismos.
Na
estação indescritível,
o
gênio mau da noite me forçava
com
saudade e desgosto pelo mundo.
A
relva estremecia
mas
não era para mim,
nem
os pássaros da tarde.
Cães,
crianças, ladridos,
despossuíam-me.
Então
rezei: salva-me, Mãe de Deus,
antes
do tentador com seus enganos.
A
senhora está perdida ?
Disse
o menino,
é
por aqui.
Voltei-me
e
reconheci as pedras da manhã.
Bem,
espero que tenham gostado, não deu para colocar todos e meu Word tá osso, mas
se curtiram não esqueçam de compartilhar !
domingo, 4 de janeiro de 2015
Livro: Felicidade clandestina
Estou aqui com minha primeira postagem de 2015, e para iniciar o ano bem, tenho
um pequeno resumo da Clarice Lispector guardado para estudantes de Letras e
afins. Bem, eu havia me esquecido completamente dele, mas mexendo aqui nas
pastas o encontrei e decide compartilhá-lo, pois pode ajudar outras pessoas com
suas pesquisas. Mais informações, acho que vocês encontrarão no Guia
do Estudante.
Segue então, um breve resumo do livro Felicidade clandestina e uma breve
apresentação da autora Clarice Lispector.
"Felicidade
Clandestina" - resumo e análise da obra de Clarice Lispector
Lançado inicialmente em 1971,
"Felicidade Clandestina" reúne diversos textos de Clarice Lispector
que foram escritos em diversas fases da vida da autora. Os textos reunidos
nessa obra podem mais facilmente serem classificados como “contos”, mas como
Clarice não se prendia a convenções de gêneros, todo o conjunto reunido em
Felicidade Clandestina migra de gênero em gênero, ora aproximando-se do conto,
ora aproximando-se da crônica, ou por vezes sendo quase um ensaio. De fato,
muitos dos textos reunidos neste livro foram publicados como crônicas no Jornal
do Brasil, para onde Clarice escrevia semanalmente de 1967 a 1972.
Ao todo, Felicidade Clandestina reúne 25 textos que tratam de temas diversos,
tais como a infância, a adolescência, a família, o amor e questões da alma.
Assim como a crônica que dá título ao livro, muitos dos textos apresentam algo
de autobiográfico, trazendo recordações da infância da autora em Recife, alguma
personagem que marcou seu passado, etc. Através da recordação de fatos do seu
passado, Clarice Lispector busca nos contos fazer uma investigação psicológica
de autoanálise.
Uma das técnicas mais empregadas nesses contos é a da narrativa em fluxo de
consciência, que é uma tentativa de representação dos processos mentais das
personagens. Esse tipo de narrativa não possui uma estrutura sequencial, uma
vez que o pensamento não se expressa de uma forma ordenada. Dessa forma, seria
como se o autor não tivesse controle sobre a personagem e a deixasse entregue a
seus próprios pensamentos e divagações.
Assim, dentro desse processo de associação de ideias e pensamentos desconexos,
em um dado momento a personagem passa por um momento de epifania, que é uma
súbita revelação ou compreensão de algo. Ao passar por esse momento de
epifania, a personagem descobre a essência de algo que muda sua visão de mundo
ou sua própria vida. Através desses momentos de epifania, personagens que
poderiam ser considerados sem relevância alguma aos olhos da sociedade ganham
profundidade psicológica e existencial.
Contos representativos
“Felicidade clandestina”
Nesta crônica a narradora em primeira pessoa conta sua primeira experiência com
um livro. Porém, este livro é de uma menina má que o oferece emprestado para a
narradora, mas sempre inventa uma desculpa para não entregar o livro a ela. Até
que a mãe da menina má descobre isso e entrega o livro para a narradora, que
passa a saborear o livro como se fosse um amante. Esta crônica tem um cunho
autobiográfico, como comprovou a própria irmã da escritora dizendo que se
lembra da “menina má”.
O ponto central desse texto é o conceito de “felicidade”. Nele, a escritora
parece se questionar “afinal, o que é felicidade?”. A menina presente na
crônica parece conhecer bem o dito popular “felicidade é bom, mas dura pouco”,
uma vez que ela se utiliza de todas as formas para prolongar seu sentimento de
felicidade. Uma vez que ela ganhou permissão para ficar com o livro pelo tempo
que desejasse, ela o deixa no quarto e finge esquecer que o possui, só para se
redescobrir possuidora dele. Dessa forma, sua felicidade aparece como um
sentimento “clandestino”, já que nem ela mesma pode se conscientizar de sua própria
felicidade para que esse sentimento não acabe. Concluísse, portanto, que a
felicidade deve ser descoberta a todos os momentos e nas coisas mais simples.
“Amizade sincera”
Este conto é a história de dois homens que se tornam amigos inseparáveis, mas
em dado momento começa a faltar assunto entre eles. Os dois vão morar junto,
mas não conseguem mais voltar a ser amigos como antes e, por fim, eles tomam
rumos diferentes na vida e sabem que não irão mais se ver.
Este conto tematiza os paradoxos das relações humanas e o individualismo das
pessoas. Se por um lado queremos manter uma amizade a todo custo, a ponto de
quase “ceder a alma” ao amigo, quem de fato gostaria de “ceder a alma”? –
pergunta-se o narrador. Assim como aparece em outros contos de Clarice, a
relação entre as pessoas parece estar fundamentada em uma “relação de troca”.
No conto, os dois amigos já não encontram mais o que “trocar” entre si e disso
nasce uma grande melancolia e desilusão, corroendo a amizade entre os dois. Por
fim, o que sobra de sincero aos dois é saber que eles não mais se falarão
porque escolheram isso.
“O ovo e a galinha”
Este é um dos contos mais emblemáticos de Clarice Lispector. A partir da visão
de um ovo que está sobre a mesa da cozinha, o narrador inicia uma série de
pensamentos a cerca das mais diversas coisas. Esses pensamentos aparecem de
forma aleatória e em fluxo de consciência, onde uma ideia, sentimento, sensação
etc, desencadeia outro e assim sucessivamente. Dessa forma, ele vai
desconstruindo o objeto que está sendo visto e o ovo passa, então, a ser uma
representação de qualquer coisa, física ou abstrata (liberdade, amor, vida,
etc.). Assim, através dessa “desconstrução”, o ovo deixa de ser simplesmente um
ovo e torna-se a chave para a compreensão do amor, da vida e da própria
existência humana.
“Os desastres de Sofia”
Neste conto a narradora relembra seus tempos de escola. Por volta dos nove anos
de idade, ela nutre uma espécie de amor pelo professor, um homem feio e
aparentemente frustrado. A menina-narradora entra em um jogo sádico com o
professor, de forma que ela faz tudo para que ele a odeie. Até que em certo
momento da narrativa ele pede para que a sala escreva uma história a partir de
dados que ele fornece. Ansiosa para ser a primeira a terminar, a menina-narradora
escreve a sua história rapidamente e sai da sala triunfante. Porém, após o
professor ler o texto que ela escreveu, ele se mostra impressionado e até
sorri. A menina-narradora percebe que o olhar do professor não tem mais o ódio
de antes, e ela se desespera com sua nova realidade. A partir disso ocorre um
momento de epifania em que ela se depara com a verdade do mundo e sua vida
muda.
O título do conto é provavelmente uma alusão a um livro infantil escrito no
século XIX pela francesa Condessa de Ségur e que também se chama “Os desastres
de Sofia”. Porém, no conto de Clarice, o nome “Sofia” não aparece nenhuma vez
além do título. Este nome, “Sofia”, é de origem grega e significa “sabedoria”.
Assim como em muitos outros contos da escritora, o núcleo temático de “Os
desastres de Sofia” parece ser o da autodescoberta. Isso parece ser sugerido
também pela ausência do nome Sofia no conto, pois a personagem estaria em busca
de sua própria identidade, o que acontece só ao final do livro com o momento de
epifania.
Por fim, cabe ressaltar que a narradora traça o seu passado de uma forma
autobiográfica, mas ela não o faz de uma forma “fiel”. Ao invés de simplesmente
contar os fatos e acontecimentos de seu passado, ela o reinventa a partir das
experiências do “eu” presente. Isso fica bem marcado em passagens em que a
narradora confessa ter dúvidas sobre o que aconteceu ao certo em determinadas
ocasiões e se mostra constantemente hesitante. Assim, através da reconstrução
não sistemática de seu passado, a narradora constrói a imagem que faz de si
mesmo no seu presente.
Comentário do professor
O Prof. Marcílio Gomes Júnior, da Oficina do Estudante, frisa que Felicidade
Clandestina foi publicado no auge da carreira de Clarice Lispector, sendo o seu
quarto livro de contos. Como escritora, pode-se dizer que Clarice já havia
atingido sua maturidade e conseguia realizar com maestria o que seria o ponto
chave de suas obras: o estudo e análise do ser humano. Através de um mergulho
no universo interior das personagens, Clarice trazia à tona temas
existencialistas e as contradições, dúvidas, inquietudes do ser humano. Nesse
ponto, o prof. Marcílio comenta que ela se aproxima bastante de escritores como
o russo Dostoievsky (autor de Crime e Castigo), e dos brasileiros Machado de
Assis e Graciliano Ramos. Em seus contos, Clarice também explora muito o tema
da família e seus confrontos, exibindo o cerne da família brasileira.
Quanto à questão existencialista, o prof. Marcílio chama atenção para o fato de
que esse existencialismo sempre conduz o sujeito (as personagens) para um
inevitável isolamento. Assim, em toda a obra de Clarice Lispector teremos
personagens desconfiadas, inadaptadas ao meio em que vivem, com temores e
inquietações. Através de um mergulho no interior do ser humano, essas
personagens cheias de crises existenciais sempre irão passar por um momento de
epifania, que seria um “momento de tomada de consciência” ou um “momento de
iluminação”. Esta experiência epifânica irá ampliar o campo de percepção da personagem
e ela será elevada a outro nível de consciência, passando a ver o mundo a sua
volta de outra maneira. Assim, após ver a existência humana de um novo modo, a
personagem ou voltará a ser o que era, mas agora com uma consciência elevada,
ou então irá manter seu novo estado de consciência.
Por fim, o prof. Marcílio ressalta que como a preocupação de Clarice é com a
personagem em si e sua viagem ao interior do ser humano, o cenário físico ao
redor é muitas vezes deixado de lado. A não ser que o cenário interfira
diretamente ou ativamente na história, não encontraremos nenhuma passagem
descritiva nos contos de Clarice. Além disso, a escritora utiliza uma linguagem
subjetivada, abusando de adjetivos, metáforas e comparações. Do ponto de vista
formal, vale a pensa ressaltar que Clarice utiliza um chamado estilo circular,
que consiste na repetição sistemática de palavras, expressões ou frases, para
conseguir um efeito enfático.
Sobre Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, Ucrânia.
Quando tinha cerca de dois meses de idade, seus pais migraram para o Brasil,
terra que considerava como sua verdadeira pátria. Em 1924, a família mudou-se
para o Recife, onde iniciou seus estudos. Por volta dos oito anos, Clarice
perdeu sua mãe. Três anos depois, a família muda-se para o Rio de Janeiro.
Ingressa em 1939 na Faculdade
de Direito, e publica no ano seguinte seu primeiro conto, Triunfo, em uma
revista. Forma-se em 1943 e casa-se no mesmo ano com o diplomata Maury Gurgel
Valente, com quem teve dois filhos. Durante seus anos de casada, mora em
diversos países pela Europa e nos Estados Unidos.
Em 1944, publica seu primeiro
romance, Perto do coração selvagem, vindo a ganhar o Prêmio Graça Aranha, da
Academia Brasileira de Letras, no ano seguinte. Separa-se de seu marido em 1959
e volta para o Rio de Janeiro com seus dois filhos. No ano seguinte, publica
seu primeiro livro de contos, Laços de família.
Em 1967, um cigarro provoca um
grande incêndio em sua casa e Clarice fica gravemente ferida, correndo risco
inclusive de ter sua mão direita amputada. Porém, após se recuperar, continua
com sua carreira literária publicando diversos livros.
Publica em 1977 seu último
livro, A hora da estrela, vindo a ser internada pouco tempo depois com câncer.
A escritora vem a falecer no dia 9 de dezembro do mesmo ano, véspera de seu
aniversário de 57 anos.
Suas principais obras são:
"Perto do coração selvagem" (1944), "Laços de família"
(1960), "A maçã no escuro" (1961), "A legião estrangeira"
(1964), "A paixão segundo G.H." (1964), "Felicidade
clandestina" (1971), "Água viva" (1973) e "A hora da estrela"
(1977).
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Franz Kafka e o análise do texto " Diante da lei"
Eu tenho guardado alguns textos que já utilizei e que podem ajudar quem estiver fazendo pesquisas. Agora não sumi tanto viram só ?
Pois bem, vou começar com essa biografia do pensador Franz Kafka.
FRANZ KAFKA
Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, em Praga, cidade que na época pertencia à monarquia austro-húngara. Filho de um abastado comerciante judeu, Kafka cresce sob as influências de três culturas: a judaica, a tcheca e a alemã.
Em 1920, Kafka abandonou seu emprego em uma companhia de seguros por razões de saúde. Havia contraído tuberculose. Nos anos 1920 e 1921, Kafka relacionou-se com a escritora tcheca Milena Jesenká-Pollak, mas seu grande amor foi por uma mulher que conheceria apenas no final de sua vida, Dora Dyamant.
Formado em direito, trabalhou sempre em cargos burocráticos. Solitário, com a vida afetiva marcada por irresoluções e frustações, Kafka nunca atingiu fama ou fortuna com seus livros, na maioria editados postumamente.
Morreu no dia 3 de junho de 1924, num sanatório perto de Viena, onde internara-se com tuberculose. Desde então, seu legado – resgatado pelo amigo Max Brod – exerce enorme influência na literatura mundial.
OBRAS
A Metarmofose (1916) narra o caso de um homem que acorda transformado em gigantesco inseto; O Processo (1925) conta a história de um certo Josef K., julgado e condenado por um crime que ele mesmo ignora; n’O Castelo (1926), o agrimensor K. Não consegue ter acesso aos senhores que o contratam. Essas três obras-primas definem não apenas boa parte do que se conhece até hoje como “literatura moderna”, mas o próprio caráter do século “kafkakiano”.
Autor de várias coletânias de contos, Kafka escreveu também a avassaladora Carta ao Pai ( 1919) e centenas de páginas de diários. Deixou inacabado o romance Amérika.
Livro O Processo:
No dia em que completava 30 anos de idade, enquanto esperava o café da manhã, o empregado de banco Josef K., foi surpreendido por dois inspetores que, sem nenhum motivo explicíto, lhe deram ordem de prisão.
A princípio, o pacato K. Imaginava que tudo não passasse de um equívoco. Aos poucos , porém, o caso de K. se complica. Na tentiva e compreender os meandros do processo, Josef K. conversa com advogados, estudantes, industriais, pintores, comerciantes e por fim, com um sacerdote – todos de algum modo funcionários do tribunal.
Com uma espantosa capacidade de conferir realidade a fatos aparentemente muito estranhos, Franz Kafka ( 1883 – 1924) contrói um universo ficcional em que os tradicionais conceitos de culpabilidade e inocência valem menos do que o próprio funcionamento da Lei – indiscernível, acima da vontade e do entendimento dos homens.
Muitos críticos interpretam O Processo como um romance metafísico, sobre o problema do Mal. Outros o veem coo alegoria das modernas sociedades de controle, em que todos estão submetidos a uma lógica cega. Que cada leitor julgue o livro por si.
Outras Obras:
- Preparativos de casamento no campo
- Na colônia penal
- Um artista da fome
- A Muralha da China
Análise do Texto “ Diante da Lei “
KAFKA, no capítulo denominado "Diante da Lei" por Modesto Carone, estabelece um interessante e intrigante diálogo entre K. (o personagem principal do livro "O Processo") e um determinado sacerdote.
Analisado o texto, constatamos que se trata de uma parábola em que se destaca a dificuldade que tem o cidadão comum para ter acesso ao Poder Judiciário. Isto é revelado pela imensa dificuldade em interpretar ou compreender a mensagem expressada pelo porteiro que estava diante da lei (ou tribunal).
O homem do campo que se dirigiu ao porteiro e pediu para entrar na lei recebeu como resposta que a entrada não seria admitida de imediato, sendo possível a admissão posteriormente. Como está referido no texto, "o homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele".
O sacerdote, conversando com K., revelou-lhe que duas seriam as interpretações possíveis acerca da suposta negativa expressada pelo porteiro, a saber: uma primeira interpretação seria no sentido de que o porteiro (ao contrário do que K. pensou inicialmente) não haveria enganado o homem do campo, porque teria negado a ele apenas inicialmente o devido acesso à lei, de vez que ao final da conversa deixou dito que ninguém mais poderia ser admitido na porta da lei, pois esta entrada estava destinada somente a ele (homem do campo); já a segunda interpretação, que também contraria o entendimento inicialmente firmado por K., era no sentido de que o enganado seria justamente o porteiro, interpretação esta que parte da ingenuidade do porteiro, que não conhece o interior da lei, mas somente o caminho que precisa percorrer continuamente diante da entrada.
O que se constata do texto, pois, é a existência de mais de uma interpretação possível para a questão do acesso à Justiça.
Fato é que se o homem do campo tivesse interpretado corretamente a negativa inicial do porteiro, o que não ocorreu, teria tido acesso posterior à lei ou à justiça, pois o encerramento da parábola é no sentido de que ali ninguém mais poderia entrar a não ser o próprio homem do campo, dado que a ele estava reservado aquele espaço.
Como se vê, o texto revela as dificuldades que surgem nos relacionamentos humanos diariamente, tudo porque às vezes não desvendamos corretamente as mensagens transmitidas por nossos interlocutores.
Isto também ocorre com as mensagens normativas (até com bastante freqüência), razão pela qual resolvemos, a partir das idéias destacadas por KAFKA, apreciar criticamente o princípio constitucional explícito do amplo acesso à jurisdição, porquanto todo aquele que se achar DIANTE DA LEI deve ter acesso direto a ela, sob pena de não se viver, ainda que formalmente falando, em um regime de Estado de Direito.
Fontes:
http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=628162
: http://jus.com.br/artigos/773/franz-kafka-e-o-dificil-acesso-a-protecao-jurisdicional#ixzz2w00oPRf5
Se gostaram, não se esqueçam de compartilhar !
terça-feira, 30 de julho de 2013
Livro: " O Alienista "
Livro: O Alienista
Ficha Técnica
Autor: Machado de Assis
Editora: AudioLivros / L&PM entre outras
N° de páginas: 96 em média
Resenha
Machado de Assis trouxe aos leitores sua opinião sobre o Brasil da época em que vivera. A burguesia é extremamente destacada neste contexto.
Sr. Simão Bacamarte, homem de bem, inteligente e boa hierarquia, casou-se com D. Evarista, senhora simples, como descreve. Constituindo familiar comum (burguesa) à sociedade, Bacamarte frusta-se diante das tentativas fracassadas de ter um filho.
Este porém, desvia-se em ampliar seus conhecimentos à medicina, logo passa a estudar e cuidar da área psicológica, da psiquiatria. Usando de suas influências, consegue permissão para construir a Casa Verde, lugar onde posteriormente seus pacientes, serão internados.Padre Lopez seu amigo, faz-se importante figura na mesma.Nesta, encontram-se loucos, dementes das várias hierarquias.
As famílias estavam felizes em ver seu ente recebendo tratamento adequado e mais ainda, orientação religiosa.
Assustadoramente, a grande Casa Verde parecia não suportar tantos pacientes, em um curto prazo, sendo necessária a incrementação de mais algumas alas. Logo revela-se um mistério, pois não se imaginava haver tantos loucos numa única cidade.
Recomendo a estudantes de direito e psicologia, mostra-se um livro de grande análise da mente humana, de suas fraquezas, de suas vitórias, um clássico para da literatura Machadiana.
domingo, 30 de junho de 2013
Livro: O Jornal Jequitinhonha e a Guerra do Paraguai
Livro: O Jornal Jequitinhonha e a guerra do Paraguai
Ficha Técnica:
Autor: Maria
de Lourdes dos Reis.
Editora:
Edições Cutiara
N° de Páginas:
143
Resumo do Livro
1- O Jornal Jequitinhonha
Esta obra tem
o objetivo de fazer a leitura e interpretação do jornal O Jequitinhonha, da
cidade de Diamantina, cujo o digirigente era o jornalista Joaquim Felício dos
Santos, e seu sobrinho Antônio Felício dos Santos no período da Guerra do
Paraguai. O jornal era algo republicano, críticava e noticiava sobre a corte.
Joaquim era totalmente oposto ao governo de Dom Pedro II, devido à Revolução
Liberal de 1842.
Era um
seminário dominical tipo tabloide, na medida 36cm por 28cm que circulou de 1860
a 1873. Procurava prestar serviços à comunidade local, anunciando fugas de
escravos e prêmios por sua captura, o desaparecimento de animais, objetos
perdidos, celebração de missas fúnebres, serviços locais e publicação de poemas
a pedidos.
O Jornal
lutava com palavras contra a Monarquia e a favor de uma mudança política e
administrativa no país, com a implantação do regima republicano. O Jornal era
polêmico, direcionado à elite intelectual, aos mais interessados pelos
problemas brasileiros.
As coleções
existentes do Jornal o Jequitinhona encontram-se na Hemeroteca de Minas Gerais,
pertencente ao Arquivo Público Mineiro (1868 e 1869), e duas coleções completas
na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Nas primeiras
edições Joaquim se pôs a escrever sobre a história de Diamantina, um grande
legado deixado para a cultura Brasileira.
Em seguida
escreveu o romance “Acayaca” história romantizada sobre a fundação de
Diamantina, com forte presença do indígena.
O
Jequitinhonha além de republicano, era ainda anticlerical. Criticava muito o
clero, e tinha uma proposta abolicionista, colocando-se como defensor dos
escravos. Denunciava ainda o quanto a Província de Minas vinha sofrendo com o
autoritarismo e a exploração de suas riquezas, desde os tempos da colônia.
2- Joaquim Felício dos Santos
Joaquim
Felício dos Santos nasceu em 01 de fevereiro de 1828, na Vila do Príncipe ou
Comarca do Serro Frio – atual cidade do Serro, nas cercanias de Diamantina,
filho de tradicional família de proprietários de terras. Estudou Direito na
cidade de São Paulo, na Academia Jurídica do Largo de São Francisco, sendo
colega e contemporâneo de José de Alencar.
De volta a
Minas, radicou-se em Diamantina, por volta de 1850 e dedicou-se à advocacia e
ao ensino. Como advogado, tornou-se um nome respeitável na área jurídica por
substanciosos pareceres jurídicos que emitia para diversos pontos do país.
Também atuava como defensor de pessoas humildes, desprovidas de recursos e até
escravos.
Na área do
magistério lecionou história, geografia, francês e matemática, no Ateneu de São
Vicente de Paulo, o mais importante centro de educação do norte mineiro, nesta
época, e também no Seminário Episcopal de Diamantina.
Integrou-se na
corrente de ideias liberais juntamente com seus irmãos e abraçou um programa
libertário, liderado pelo político Teófilo Otoni e outros membros do
radicalismo liberal mineiro.
Juntamento com
seu cunhado Josefino Vieira Machado, o Barão de Guaicuí, Joaquim Felício
publicou o primeiro número de O Jequitinhonha, que circulou em 30 de dezembro
de 1860, sendo editor Geraldo Pacheco de Melo.
Joaquim foi
representante da Sociedade de Homens de Letras de Minas Gerais, foi um dos
criadores da Sociedade Patrocínio de Nossa Senhora das Mercês, cujo objetivo
era auxiliar na emancipação de escravos.
Em 1878 foi
convidado pelo Gabinete da Justiça, para elaborar o Código Civil Brasileiro que prontamente atendeu, dedicando por três anos ao assunto. Em 1881,
apresentou ao Ministério da Justiça os “ Apontamentos para o Projecto do Código
Civil Brazileiro”quem encaminhou à Corte e imprimiu-o na “ Tipografia
Nacional”. Este foi lido e relido sendo protelada sua aprovação. De 1884 a 1887
continuou o trabalho e apresentou outro texto “ Comentários ao projeto do Código Civil Brasileiro”, publicado em cinco volumes porém não aprovado pela
comissão indicada para a elaboração do Código Civil.
O governo agiu
pesadamente sobre Joaquim Felício, o mesmo acabou desiludido com a vida
nacional e adoentado, retirou-se para o Distrito de Biribiri, onde ele e seus
irmão fundaram a Fábrica de Fiação e Tecidos do Biribiri Santos & Cia.
Veio a falecer
em 21 de outubro de 1895, convertido ao catolicismo, sendo enterrado neste
mesmo local na Igreja do Sagrado Coração.
Em 1902, a
República, em agradecimento aos seus trabalhos sem nenhuma remuneração,
concedeu à sua viúva, através do Congresso Nacional, a pensão de 500$000(quinhentos mil réis) que, no entanto, nunca se efetivou. O arcebispo de Diamantina, D.
Joaquim Silvério de Souza, em 1910, escolheu-o como patrono de sua cadeira na
Academia Mineira de Letras, em reconhecimento ao grande intelectual e escritor
que foi.
Anos mais
tarde, surgiu o Código Civil Brasileiro, de autoria do jurista Clóvis
Bevilacqua, que continha “ muita matéria extraída do “Projeto de Felício dos
Santos”.
3 - Guerra do
Paraguai
A bibliografia
da Guerra do Paraguai é muito variada, dividindo-se em obras que se colocam a
favor ou contra o episódio.
A primeira
versão, de tendência tradicionalista, é defendida por militares que se
dedicaram a escrever sobre esse conflito. Para eles, as causas da guerra
estariam diretamente ligadas à personalidade megalomaníaca de Solano López,
associada à sua vaidade pessoal e seu temperamento violento. Ele teria buscado
pretextos para iniciar a sua grande aventura militarista e atentatória à
soberania dos povos do extremo sul da América Latina.
Numa segunda
versão, o Paraguai é visto como o líder da causa da unidade hispano-americana,
em continuidade à lutas contra o domínio espanhol e defensor de uma linha de
desenvolvimento distinto do restante da América. Seu principal mentor é o
escritor argentino José Maria Rosa. Ele acredita que Solano López é o herdeiro
legítimo da luta pela cousa hispano-americana, sucessor de Artigas, Bolívar,
San Martin e Rosas, que batalharam pela liberdade da América e o Brasil
imperial. José Maria rosa coloca-se em sentido contrário ao da historiografia
tradicional e oficial e "procura dar voz aos vencidos" ( SALLES,
1990:22). Para Rosa, Solano López tinha o projeto de uma nação forte e unida no
Rio da Prata, em oposição ao Brasil, que herdará a política de intervenção portuguesa
no Prata e a reproduzia, contra seus vizinhos hispânicos.
A terceira
versão procura fazer uma revisão da Guerra do Paraguai, defendendo a opinião de
que as causas do conflito estariam assentadas nas pressões do imperialismo
inglês, usando o Brasil e a Argentina para tentar destruir a via de
desenvolvimento autônomo paraguaio. Esta visão, também conhecida como
"revisionista", pretende fazer a revisão da história da Guerra do
Paraguai, dentro de um viés marxista e é defendida pelo historiador argentino
Leon Pomer, que tem como seguidor mair próximo o jornalista brasileiro Julio
Chiavenatto com sua obra" Genocídio Americano". Esta tese parte do principio de que a guerra tem suas origens na expansão do capitalismo,
notadamente, o inglês.
4- Jornais Brasileiros
Abaixo alguns
jornais brasileiros que anunciavam sobre a Guerra do Paraguai:
- Opinião Liberada
- Semana Illustrada
- Diabo Coxo
- A vida Fluminense
- Paraguay Illustrado
Em Minas
Gerais durante o segundo Reinado circularam os jornais:
de Diamantina
- O Voluntário (1865)
- O Jequitinhonha (1863 a 1877)
de Ouro Preto
- O Conservador de Minas (1870)
- Constitucional ( 1866 a 1868)
- Diário de Minas ( 1866 a 1868)
O Liberal de Minas ( 1868 a 1870)
Noticiador de Minas ( 1868 a 1870)
de Campanha
- O Sapucahy ( 1864 a 1869)
- O Planeta do Sul ( 1865)
- O Conservador ( 1869)
de Três Pontas
- O Despertador (1863 a 1865)
de Juíz de Fora
- O Pharol (1870)
Gente eu espero ter ajudado com mais este resumo !
Não se esqueçam de compartilhar no face e deixar seu comentário ok ?
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Resumo " Segurança Jurídica e Crise no Direito"
É também pra
não perder o trabalho rs.
Obs: Parte do texto não é de minha autoria, mas também de estudantes e professores de direito, que achei na internet. Créditos.
Livro: SEGURANÇA JURÍDICA E CRISE NO DIREITO
Ficha técnica:
Autor: Ricarlos Almagro Vitoriano Cunha
Editora:
Arraes
N° de
páginas: 86
Resenha:
Introdução
Aos
estudantes de direito cabe analisar para futura utilização o fato do
Direito hoje, passa por grande revolução com ciência. Esta envolta
da restrição da liberdade humana, dentre valores a serem resgatados
ou necessariamente perdidos para que o homem moderno caminhe ao
lado do “ mundo da vida” e não sobreposto a ele.
“Durante
muitos anos o ensino jurídico foi reduzido a uma condição meramente técnica”.
Uma das bases em que o Direito não se relacionava com outras áreas, filosofia,
economia, de fundamental capacitação aos alunos para envolver-se em
diversos casos de natureza humana, muitos com necessidade de extremo
entendimento da ação.
Dar-se-a uma
proposta que conflita com a nossa intuição natural de que a ausência de uma
sistema jurídico que nos confira previsibilidade de comportamentos no âmbito
social confere inconsistência sistêmica e diminui o seu potencial de regulação
de condutas, resultando numa crise que parece caminhar juntamente com a própria
idéia de segurança.
Ajuntando-se
à crise as grandes narrativas metafísicas de cunho religioso, mesmo sem que se
perca Deus dos discursos filosóficos, dão lugar ao irromper de uma nova
atitude no âmbito da relação do homem com Deus. Ele deixa de ser o prescritor
do destino do cosmos, e agora é a própria criatura que explora o âmbito da sua
liberdade para construir o seu habitat e determinar o seu modo de vida.
René
Descartes, filósofo de influência, fortalece a idéia de mudança apontando
algumas verdade que por muito tempo permaneceram inabaláveis e que
posteriormente se mostraram completamente equivocadas, tal como a própria
centralidade da Terra, afetada pela revolução copernicana. Ele também anuncia o
enraizamento metafísico de todo conhecer e agir, mas mesmo a própria metafísica
somente pode agora fundamentar-se na descoberta do cogito.
Seguindo a
idéia de Descartes sobre o questionamento de Deus e o individuo ele
deduz: “ Deus criou sua mente e situou você no mundo. Que tipo de mente Deus
lhe concedeu?Obviamente, ele não lhe deu uma mente que alcançasse verdadeiras
conclusões sobre o mundo em cada uma e todas as ocasiões. Sua mente não é
infalível. Por outro lado, Deus não teria guarnecido você com uma mente
que o conduzisse a falsas crenças sobre o mundo, não importa quão
cuidadosamente você use a sua razão ou considere as evidências . Se Deus
tivesse agitado assim, ele teria sido um enganador.Deus nos criou com
mentes que têm a capacidade de atingir verdadeiras crenças sobre o mundo.
Nós não somos nem infalíveis, nem somos desesperançosamente enganados por
falsidades. Ao invés disso, nós estamos em algum lugar mediano: nós podemos
alcançar crenças verdadeiras se nós formos cuidadosos ao usar as mentes que
Deus nos concedeu.”
Partindo
para Edmund Husserl, que na conferência de Viena, intitulada “ A crise da
humanidade européia e a filosofia” toma a ideia de crise e renovação, motivadas
pelos problemas que o filósofo vivenciava na Europa novecentista, suas
reflexões podem facilmente ser expandidas para além de suas fronteiras no
espaço e no tempo.
Formalismo
Jurídico
Noberto
Bobbio vê o formalismo jurídico como uma concepção do Direito que o “explica
exclusivamente em função da sua estrutura formal, prescindindo completamente do
seu conteúdo – isto é, considera somente como o Direito se produz e não o que
ele estabelece”.O núcleo de sua definição está centrado em um ideal positivista
de pureza, que pretende expurgar qualquer valor de ordem moral ou extralegal do
âmbito do teste de validação e reconhecimento de que se pode assumir como
Direito.
Na
seqüência, Luiz Alberto Warat, põe a questão em termos de um contraponto entre
as terias formalistas ou racionalistas e as realistas ou
antirracionalistas. Colocadas as coisas nesses moldes, é fácil notar o
apelo natural às teses formalistas, em face da sua vinculação ao postulado da
racionalidade, da qual derivaria um ordenamento jurídico dotado de coerência e
completude.
Resumindo o
conceito de formalismo jurídico, fazemos referência àquela concepção do
Direito que se enclausura em um corpo de idealidades formal-normativas, em que
o papel da facticidade é sonegado ou reconduzido a um plano secundário.
Segurança
Jurídica
Renovar não
seria inovar, mas a retomada de um projeto a partir de um novo rumo , que mais
se caracteriza como um regresso, uma repristinação; jamais, como disse, um
abandono da racionalidade, o que é confirmado pelo convencimento de Husserl de
que a crise se radica em um extravio do racionalismo, o que não nos autoriza a
“ crer que a racionalidade como tal é prejudicial ou que na totalidade da
existência humana só possua uma significação subalterna”.
A Husserl
parece que a crise da humanidade é derivada de uma crise da ciência, que na
Modernidade se lançou à tarefa infinita de um conhecimento matemático do mundo
natural (o que fez com grande desempenho), porém, assumindo a unidade da razão,
imaginou que pudesse enfrentar o mundo espiritual do homem com o mesmo proceder.
O Estado
Democrático de Direito pressupõe uma ordem jurídica em que se garantam
importantes instrumentos para a defesa dos particulares em face do Poder do
Estado. Os direitos e garantias individuais se apresentam como a maior defesa
dos cidadãos em relação ao Estado. A própria existência de um ordenamento
jurídico, com a previsão de preceitos normativos gerais, impessoais e
abstratos, presta serviço à Segurança Jurídica, uma vez que em geral há regras
previamente definidas para a resolução dos conflitos de interesses. A segurança
jurídica é um direito fundamental do cidadão. Como se trata de uma cláusula
aberta, o seu conceito é indeterminado, mas é perfeitamente possível esclarecer
o que é. Aliás, é característica dos princípios serem cláusulas abertas, o que
causa vez ou outra alguma dificuldade na sua aplicação ou compreensão. Os
princípios são, na verdade, mais facilmente sentidos do que conceituados.
A segurança
jurídica é um direito fundamental do cidadão. Implica normalidade,
estabilidade, proteção contra alterações bruscas numa realidade
fático-jurídica. Significa a adoção pelo estado de comportamentos coerentes,
estáveis, não contraditórios.
Moreso e
Vilajosana vinculam o ideal de segurança jurídica à função que exerce sobre os
destinatários das normas , no sentido de dar-lhes antecipadamente o
conhecimento dos comportamentos que lhe são proibidos, obrigatórios ou
permitidos, e, com isso, a segurança cumpre o seu papel de planificação
das condutas, ao estabelecer previamente as consequências jurídicas que lhe
advêm, ou seja, é um conhecimento que pode orientar o agir. Partindo dessa
premissas , algumas condições são necessárias para que esse ideal seja
alcançado: a) que as normas seja claras; b) que sejam conhecidas; c) que o
Estado as cumpra e as faça cumprir.
Liberdade
Liberdade é
o estado no qual se supõe estar livre de limitações ou coação, sempre que se
tratar de agir de maneira lícita, de acordo com princípios éticos e legais
cristalizados dentro da sociedade.
Pensar
o Direito, é pensar a Liberdade. Fazer agir o Direito, é viver a Liberdade.
Intrinsecamente ligados, mister é que se faça valer o direito à liberdade
dentro dos parâmetros e paradigmas do Direito, isto é, temos o direito de
nascer, crescer, estudar, comer, morar... e morrer. Esses direitos são
necessários para se encontrar, de uma forma ou de outra, os caminhos, as metas
e os objetivos de cada indivíduo - tanto para o bem, quanto para o mal -, ou
seja, a liberdade será determinada pelos seus princípios de
"direito": o errar e o acertar.
A
liberdade, antes de tudo, deve ser vista com responsabilidade. A
responsabilidade de nossos atos é fator sumamente importante para que possamos
fazer jus a "essa tal liberdade"...
A crise do direito
O passar do tempo, os cursos de direito
ampliaram significativamente suas funções, em correlação aliás com o aumento da
complexidade da sociedade contemporânea. Como cursos profissionais que são,
destinam-se hoje à formação de bacharéis para o exercício de atividades
públicas e privadas as mais diferentes na área jurídica.
Costuma-se falar em uma crise direito que se traduziria igualmente em uma crise do ensino jurídico. Sem falar, globalmente, na própria crise do modo jurídico de regulação social, trata-se das novas problemáticas e demandas que surgem para a reflexão jurídica neste final de século, assim como também das novas modalidades de solução dos conflitos jurídicos.
Estamos num momento histórico muito
especial da evolução da filosofia do Direito e da Teoria Geral do Estado. Ele
trará muitas surpresas para os que, aferrados às categorias de análise
produzidas até agora, procuraram entender a crise do Direito com base na velha
disjuntiva, a saber: ou tornar o Direito impulsionador da liberdade e dos
direitos humanos fundamentais, que se superpõe inclusive à lei – de um lado –
ou submergi-lo (como instrumento de “opressão de classe”) na frigidez “amoral”
do sistema normativo, tido este como sistema legal escrito, garantido pela
coerção estatal.
A crise de um deles, do Estado tipo
“soviético”, foi resolvida em setenta anos, pois seu pressuposto real não era,
na verdade, o homem concreto criado por milhares de gerações que se sucederam
na opressão e na desigualdade, mas o idílico homem imediato e moderno, extraído
de uma concepção metafísica da classe operária, encontrada nos textos de
agitação escritos por Marx.
A outra crise – por basear-se numa
visão cética e realista do ser humano, cujo analista mais qualificado é
Norberto Bobbio – é mais lenta, mas nem por isso menos conflitiva ou profunda.
O Estado de Bem-Estar é, de certa forma e em certa medida, uma resposta à
distância existente entre a norma jurídica abstrata (produzida pela
“irmandade” proletário-burguesa contra os privilégios e a servidão), de um
lado, e, de outro, os direitos públicos e individuais de caráter subjetivo (que
se tornam meras pretensões sem qualquer eficácia social).
A lógica “natural” do desenvolvimento
tecnológico infinito do capitalismo propõe, então, de maneira aguda, duas
racionalidades completamente distintas. De um lado, a de democratização radical do
controle máximo da sociedade sobre o Estado e, de outro, a da barbárie
“burocrático-informática”, de controle
dos monopólios sobre a vida pública e privada. Esta
segunda hipótese choca-se com os interesses materiais e espirituais de uma
maioria cada vez mais evidente, pois o grupo social, capitalista e tecnocrático
(dentro e fora do Estado que controla o poder real no topo da sociedade
capitalista monopolista informatizada), necessita romper com a possibilidade de uma racionalidade
humanizadora, que é a menor das alternativas do modelo
atual. Precisa romper com o Estado de Direito democrático através do qual a
burguesia moderna firmou sua hegemonia, porque este Estado de Direito, hoje, ampara
pretensões de Direito demasiadamente sólidas dos cidadãos comuns e dos setores
capitalistas não monopolistas, que são custosas em
demasia. Prejudicam a acumulação acelerada, capaz de criar uma massa de capital
privada, apta para financiar a mais radical revolução industrial que a
humanidade jamais viveu: a revolução da supressão do trabalho industrial e da
liquidação do proletariado como classe indispensável ao processo produtivo.
A forma pela qual aparece a
“reforma” do Estado necessária para mediar este processo econômico-social –
luta pelo esvaziamento de suas funções reguladoras e pela diminuição de seu
“tamanho” – adquire uma especial legitimidade pública face ao corporativismo,
imediatismo e pobreza de propostas que caracterizam os trabalhadores do Estado
e das estatais. Nada mais próprio para os defensores do Estado mínimo do que a
despolitização galopante destes servidores que, face às sucessivas décadas de
opressão sal e política- no Brasil – e de integração burocrática e oportunismo
político – nos países desenvolvidos, mostram-se impotentes para propor uma
reforma do Estado voltada para a defesa dos milhões de excluídos, resumindo as
suas lutas à defesa dos seus interesses econômicos imediatos.
O mundo da vida
Husserl acreditava
que era preciso uma teoria do conhecimento, uma elucidação do conhecer; era
preciso ir à busca dos fundamentos deste conhecimento a fim de permitir-nos
compreender a pretensão do conhecimento objetivo que ainda não havia sido
esclarecido efetivamente naquela época. A fenomenologia, assim compreendida,
significava um novo método na constituição da essência do conhecimento.
O objetivo de Husserl era o de "voltar às coisas mesmas", voltar ao mundo-da-vida (Lebenswelt), ao mundo da experiência. A fenomenologia veio para denunciar este crescente distanciamento entre o mundo da vida e o mundo da ciência. Era preciso resgatar a noção de que o mundo científico é secundário – ele é produzido a partir da própria compreensão subjetiva dos cientistas. O real não é o mundo visto pelos olhos das ciências, mas aquilo que eu experiencio, aquilo que eu vivo A fenomenologia, com estes objetivos, não está criticando a atividade científica propriamente dita, mas denunciado a idéia de que o sentido do mundo é dado cientificamente. A ciência tem muito pouco a nos oferecer no que se refere às questões da humanidade, uma vez que ela deixa de fora as questões essenciais do homem, as questões que dizem respeito ao seu modo de ser, promovendo, assim, o distanciamento entre o mundo que eu experiencio e o mundo que me é dado cientificamente.
Husserl vai apresentar a ciência do “mundo da vida”, reconhecendo o carácter específico desse mundo, apresentando-o na experiência imediata da vida pré-científica. Para Husserl, a primeira operação a realizar é, a já acima mencionada, redução da ciência objectiva, não pondo em causa a sua existência e sem a intenção de viver no mundo sem esta ciência, apenas colocá-la entre parênteses mas continuando a ser um facto cultural, assim atinge-se um plano em que o mundo é considerado tal como é, como o experimentamos na nossa realidade.
O mundo será aquilo para qual remete todo o ente e a partir do qual este se compreende. O individual não nos é dado definitivamente mas como um horizonte que se mantém sempre aberto. É pelo mundo que o ente recebe sentido, este “mundo da vida” é transcendência no aspecto de uma horizontalidade aberta, fundamenta todo o ente e dá orientação ao campo do eu.
O objetivo de Husserl era o de "voltar às coisas mesmas", voltar ao mundo-da-vida (Lebenswelt), ao mundo da experiência. A fenomenologia veio para denunciar este crescente distanciamento entre o mundo da vida e o mundo da ciência. Era preciso resgatar a noção de que o mundo científico é secundário – ele é produzido a partir da própria compreensão subjetiva dos cientistas. O real não é o mundo visto pelos olhos das ciências, mas aquilo que eu experiencio, aquilo que eu vivo A fenomenologia, com estes objetivos, não está criticando a atividade científica propriamente dita, mas denunciado a idéia de que o sentido do mundo é dado cientificamente. A ciência tem muito pouco a nos oferecer no que se refere às questões da humanidade, uma vez que ela deixa de fora as questões essenciais do homem, as questões que dizem respeito ao seu modo de ser, promovendo, assim, o distanciamento entre o mundo que eu experiencio e o mundo que me é dado cientificamente.
Husserl vai apresentar a ciência do “mundo da vida”, reconhecendo o carácter específico desse mundo, apresentando-o na experiência imediata da vida pré-científica. Para Husserl, a primeira operação a realizar é, a já acima mencionada, redução da ciência objectiva, não pondo em causa a sua existência e sem a intenção de viver no mundo sem esta ciência, apenas colocá-la entre parênteses mas continuando a ser um facto cultural, assim atinge-se um plano em que o mundo é considerado tal como é, como o experimentamos na nossa realidade.
O mundo será aquilo para qual remete todo o ente e a partir do qual este se compreende. O individual não nos é dado definitivamente mas como um horizonte que se mantém sempre aberto. É pelo mundo que o ente recebe sentido, este “mundo da vida” é transcendência no aspecto de uma horizontalidade aberta, fundamenta todo o ente e dá orientação ao campo do eu.
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