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segunda-feira, 9 de março de 2015

Adélia Prado - Oráculos de maio

Olá Pessoas !

Bem como sempre eu fico um tempão sem postar nada e apareço igual fantasma.
Mãss...
Hoje eu reli um dos livros da Adélia Prado, o “ Oráculos de maio”, e gostaria de trazer algumas poesias aqui pro Bobeira. Bem, eu não sei se vocês sabem, mas não sou muito chegada em poesia. O real motivo desse post é porque é super difícil encontrar poesias assim na internet. Por isso vou deixar um pouco da autora, o que está na contra capa e vou deixar algumas informações sobre o livro, já que este é um dos seus maiores sucessos.

Adélia Prado
“ Nascida em 1935 na cidade mineira de Divinópolis, é formada em filosofia. A Siliciano publicou Cacos para um vidral, Os componentes da banda, O homem da mão seca, Solte os cachorros, Poesia reunida e, mais recentemente, Manuscritos de Felipa.
Oráculos de maio
O livro vai trazer mais uma vez poemas acerca da religião, do culto às coisas simples e à reflexão. Há também poemas que problematizam a própria poesia. É dividido em seis partes: Romaria, Quatro poemas no divã, Pousada, Cristais, Oráculos de maio e Neopelicano.
Vou deixar aqui o poema que mais gostei de cada parte: ( ou dois se forem pequenos J )

Romaria
Em homenagem à minha amiga Aline:
Mural

Recolhe do ninho os ovos
a mulher
nem jovem nem velha,
em estado de perfeito uso.
Não vem do sol indeciso
a claridade expandido-se,
é dela que nasce a luz
de natureza velda,
é seu próprio gosto
em ter uma família,
amar a aprazível rotina.
Ela não sabe que sabe,
a rotina perfeita é Deus:
as galinhas  porão seus ovos,
ela porá sua saia,
a árvore a seu tempo
dará suas flores rosadas.
A mulher não sabe que reza:
que nada mude, Senhor.

Mulher no cair da tarde

Ó Deus,
não me castigue se falo
minha vida foi tão bonita!
Somos humanos,
nossos verbos têm tempos,
não são como o Vosso,
eterno.

Quatro poemas no divã
Shopsi

Hoje completa um ano
que estou fazendo terapia.
- E o que você conta ao doutor ?
- Que tenho medo panifóbico
de ver minha mãe morrer.
- Só isso ?
- Só. Coisa à-toa,
feito não comer três dias
porque vi formiga de asas,
isso eu não conto mesmo,
só converso coisa séria.
- E ele?
- É muito paciencioso,
diz que meu caso é difícil
mas tem cura com o tempo
e qualquer dia me convida
para uma sessão no sítio.
- Você topa?
- Tou pensando,
vai que aparece lá
uma formiga de asas
e apronto aquele escândalo,
me diz com que cara eu volto
no consultório do homem !
- Mas ele está lá pra isso.
- Isso o quê ?
- Tchauzinho, Catarina, tchau.

Cristais
Em homenagem à minha amiga Jenny:

À Mesa

Faca oxidada contra a polpa verde,
é roxo o amor.
De amoras, não.
De dor.
Arte

Das tripas,
coração.

Oráculos de maio
Estação de maio

A salvação opera nos abismos.
Na estação indescritível,
o gênio mau da noite me forçava
com saudade e desgosto pelo mundo.
A relva estremecia
mas não era para mim,
nem os pássaros da tarde.
Cães, crianças, ladridos,
despossuíam-me.
Então rezei: salva-me, Mãe de Deus,
antes do tentador com seus enganos.
A senhora está perdida ?
Disse o menino,
é por aqui.
Voltei-me
e reconheci as pedras da manhã.


Bem, espero que tenham gostado, não deu para colocar todos e meu Word tá osso, mas se curtiram não esqueçam de compartilhar !

domingo, 4 de janeiro de 2015

Livro: Felicidade clandestina


Meus povos !



Estou aqui com minha primeira postagem de 2015, e para iniciar o ano bem, tenho um pequeno resumo da Clarice Lispector guardado para estudantes de Letras e afins. Bem, eu havia me esquecido completamente dele, mas mexendo aqui nas pastas o encontrei e decide compartilhá-lo, pois pode ajudar outras pessoas com suas pesquisas. Mais informações, acho que vocês encontrarão no Guia do Estudante. 



Segue então, um breve resumo do livro Felicidade clandestina e uma breve apresentação da autora Clarice Lispector.


 "Felicidade Clandestina" - resumo e análise da obra de Clarice Lispector 


Lançado inicialmente em 1971, "Felicidade Clandestina" reúne diversos textos de Clarice Lispector que foram escritos em diversas fases da vida da autora. Os textos reunidos nessa obra podem mais facilmente serem classificados como “contos”, mas como Clarice não se prendia a convenções de gêneros, todo o conjunto reunido em Felicidade Clandestina migra de gênero em gênero, ora aproximando-se do conto, ora aproximando-se da crônica, ou por vezes sendo quase um ensaio. De fato, muitos dos textos reunidos neste livro foram publicados como crônicas no Jornal do Brasil, para onde Clarice escrevia semanalmente de 1967 a 1972.


Ao todo, Felicidade Clandestina reúne 25 textos que tratam de temas diversos, tais como a infância, a adolescência, a família, o amor e questões da alma. Assim como a crônica que dá título ao livro, muitos dos textos apresentam algo de autobiográfico, trazendo recordações da infância da autora em Recife, alguma personagem que marcou seu passado, etc. Através da recordação de fatos do seu passado, Clarice Lispector busca nos contos fazer uma investigação psicológica de autoanálise.

Uma das técnicas mais empregadas nesses contos é a da narrativa em fluxo de consciência, que é uma tentativa de representação dos processos mentais das personagens. Esse tipo de narrativa não possui uma estrutura sequencial, uma vez que o pensamento não se expressa de uma forma ordenada. Dessa forma, seria como se o autor não tivesse controle sobre a personagem e a deixasse entregue a seus próprios pensamentos e divagações.

Assim, dentro desse processo de associação de ideias e pensamentos desconexos, em um dado momento a personagem passa por um momento de epifania, que é uma súbita revelação ou compreensão de algo. Ao passar por esse momento de epifania, a personagem descobre a essência de algo que muda sua visão de mundo ou sua própria vida. Através desses momentos de epifania, personagens que poderiam ser considerados sem relevância alguma aos olhos da sociedade ganham profundidade psicológica e existencial.

Contos representativos
“Felicidade clandestina”



Nesta crônica a narradora em primeira pessoa conta sua primeira experiência com um livro. Porém, este livro é de uma menina má que o oferece emprestado para a narradora, mas sempre inventa uma desculpa para não entregar o livro a ela. Até que a mãe da menina má descobre isso e entrega o livro para a narradora, que passa a saborear o livro como se fosse um amante. Esta crônica tem um cunho autobiográfico, como comprovou a própria irmã da escritora dizendo que se lembra da “menina má”.

O ponto central desse texto é o conceito de “felicidade”. Nele, a escritora parece se questionar “afinal, o que é felicidade?”. A menina presente na crônica parece conhecer bem o dito popular “felicidade é bom, mas dura pouco”, uma vez que ela se utiliza de todas as formas para prolongar seu sentimento de felicidade. Uma vez que ela ganhou permissão para ficar com o livro pelo tempo que desejasse, ela o deixa no quarto e finge esquecer que o possui, só para se redescobrir possuidora dele. Dessa forma, sua felicidade aparece como um sentimento “clandestino”, já que nem ela mesma pode se conscientizar de sua própria felicidade para que esse sentimento não acabe. Concluísse, portanto, que a felicidade deve ser descoberta a todos os momentos e nas coisas mais simples.

“Amizade sincera”



Este conto é a história de dois homens que se tornam amigos inseparáveis, mas em dado momento começa a faltar assunto entre eles. Os dois vão morar junto, mas não conseguem mais voltar a ser amigos como antes e, por fim, eles tomam rumos diferentes na vida e sabem que não irão mais se ver.

Este conto tematiza os paradoxos das relações humanas e o individualismo das pessoas. Se por um lado queremos manter uma amizade a todo custo, a ponto de quase “ceder a alma” ao amigo, quem de fato gostaria de “ceder a alma”? – pergunta-se o narrador. Assim como aparece em outros contos de Clarice, a relação entre as pessoas parece estar fundamentada em uma “relação de troca”. No conto, os dois amigos já não encontram mais o que “trocar” entre si e disso nasce uma grande melancolia e desilusão, corroendo a amizade entre os dois. Por fim, o que sobra de sincero aos dois é saber que eles não mais se falarão porque escolheram isso.

“O ovo e a galinha”



Este é um dos contos mais emblemáticos de Clarice Lispector. A partir da visão de um ovo que está sobre a mesa da cozinha, o narrador inicia uma série de pensamentos a cerca das mais diversas coisas. Esses pensamentos aparecem de forma aleatória e em fluxo de consciência, onde uma ideia, sentimento, sensação etc, desencadeia outro e assim sucessivamente. Dessa forma, ele vai desconstruindo o objeto que está sendo visto e o ovo passa, então, a ser uma representação de qualquer coisa, física ou abstrata (liberdade, amor, vida, etc.). Assim, através dessa “desconstrução”, o ovo deixa de ser simplesmente um ovo e torna-se a chave para a compreensão do amor, da vida e da própria existência humana.

“Os desastres de Sofia”



Neste conto a narradora relembra seus tempos de escola. Por volta dos nove anos de idade, ela nutre uma espécie de amor pelo professor, um homem feio e aparentemente frustrado. A menina-narradora entra em um jogo sádico com o professor, de forma que ela faz tudo para que ele a odeie. Até que em certo momento da narrativa ele pede para que a sala escreva uma história a partir de dados que ele fornece. Ansiosa para ser a primeira a terminar, a menina-narradora escreve a sua história rapidamente e sai da sala triunfante. Porém, após o professor ler o texto que ela escreveu, ele se mostra impressionado e até sorri. A menina-narradora percebe que o olhar do professor não tem mais o ódio de antes, e ela se desespera com sua nova realidade. A partir disso ocorre um momento de epifania em que ela se depara com a verdade do mundo e sua vida muda.

O título do conto é provavelmente uma alusão a um livro infantil escrito no século XIX pela francesa Condessa de Ségur e que também se chama “Os desastres de Sofia”. Porém, no conto de Clarice, o nome “Sofia” não aparece nenhuma vez além do título. Este nome, “Sofia”, é de origem grega e significa “sabedoria”. Assim como em muitos outros contos da escritora, o núcleo temático de “Os desastres de Sofia” parece ser o da autodescoberta. Isso parece ser sugerido também pela ausência do nome Sofia no conto, pois a personagem estaria em busca de sua própria identidade, o que acontece só ao final do livro com o momento de epifania.

Por fim, cabe ressaltar que a narradora traça o seu passado de uma forma autobiográfica, mas ela não o faz de uma forma “fiel”. Ao invés de simplesmente contar os fatos e acontecimentos de seu passado, ela o reinventa a partir das experiências do “eu” presente. Isso fica bem marcado em passagens em que a narradora confessa ter dúvidas sobre o que aconteceu ao certo em determinadas ocasiões e se mostra constantemente hesitante. Assim, através da reconstrução não sistemática de seu passado, a narradora constrói a imagem que faz de si mesmo no seu presente.

Comentário do professor



O Prof. Marcílio Gomes Júnior, da Oficina do Estudante, frisa que Felicidade Clandestina foi publicado no auge da carreira de Clarice Lispector, sendo o seu quarto livro de contos. Como escritora, pode-se dizer que Clarice já havia atingido sua maturidade e conseguia realizar com maestria o que seria o ponto chave de suas obras: o estudo e análise do ser humano. Através de um mergulho no universo interior das personagens, Clarice trazia à tona temas existencialistas e as contradições, dúvidas, inquietudes do ser humano. Nesse ponto, o prof. Marcílio comenta que ela se aproxima bastante de escritores como o russo Dostoievsky (autor de Crime e Castigo), e dos brasileiros Machado de Assis e Graciliano Ramos. Em seus contos, Clarice também explora muito o tema da família e seus confrontos, exibindo o cerne da família brasileira.

Quanto à questão existencialista, o prof. Marcílio chama atenção para o fato de que esse existencialismo sempre conduz o sujeito (as personagens) para um inevitável isolamento. Assim, em toda a obra de Clarice Lispector teremos personagens desconfiadas, inadaptadas ao meio em que vivem, com temores e inquietações. Através de um mergulho no interior do ser humano, essas personagens cheias de crises existenciais sempre irão passar por um momento de epifania, que seria um “momento de tomada de consciência” ou um “momento de iluminação”. Esta experiência epifânica irá ampliar o campo de percepção da personagem e ela será elevada a outro nível de consciência, passando a ver o mundo a sua volta de outra maneira. Assim, após ver a existência humana de um novo modo, a personagem ou voltará a ser o que era, mas agora com uma consciência elevada, ou então irá manter seu novo estado de consciência.

Por fim, o prof. Marcílio ressalta que como a preocupação de Clarice é com a personagem em si e sua viagem ao interior do ser humano, o cenário físico ao redor é muitas vezes deixado de lado. A não ser que o cenário interfira diretamente ou ativamente na história, não encontraremos nenhuma passagem descritiva nos contos de Clarice. Além disso, a escritora utiliza uma linguagem subjetivada, abusando de adjetivos, metáforas e comparações. Do ponto de vista formal, vale a pensa ressaltar que Clarice utiliza um chamado estilo circular, que consiste na repetição sistemática de palavras, expressões ou frases, para conseguir um efeito enfático.

Sobre Clarice Lispector


Clarice Lispector nasceu em 10 de dezembro de 1920 em Tchetchelnik, Ucrânia. Quando tinha cerca de dois meses de idade, seus pais migraram para o Brasil, terra que considerava como sua verdadeira pátria. Em 1924, a família mudou-se para o Recife, onde iniciou seus estudos. Por volta dos oito anos, Clarice perdeu sua mãe. Três anos depois, a família muda-se para o Rio de Janeiro.







Ingressa em 1939 na Faculdade de Direito, e publica no ano seguinte seu primeiro conto, Triunfo, em uma revista. Forma-se em 1943 e casa-se no mesmo ano com o diplomata Maury Gurgel Valente, com quem teve dois filhos. Durante seus anos de casada, mora em diversos países pela Europa e nos Estados Unidos.


Em 1944, publica seu primeiro romance, Perto do coração selvagem, vindo a ganhar o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras, no ano seguinte. Separa-se de seu marido em 1959 e volta para o Rio de Janeiro com seus dois filhos. No ano seguinte, publica seu primeiro livro de contos, Laços de família.

Em 1967, um cigarro provoca um grande incêndio em sua casa e Clarice fica gravemente ferida, correndo risco inclusive de ter sua mão direita amputada. Porém, após se recuperar, continua com sua carreira literária publicando diversos livros.

Publica em 1977 seu último livro, A hora da estrela, vindo a ser internada pouco tempo depois com câncer. A escritora vem a falecer no dia 9 de dezembro do mesmo ano, véspera de seu aniversário de 57 anos.

Suas principais obras são: "Perto do coração selvagem" (1944), "Laços de família" (1960), "A maçã no escuro" (1961), "A legião estrangeira" (1964), "A paixão segundo G.H." (1964), "Felicidade clandestina" (1971), "Água viva" (1973) e "A hora da estrela" (1977).






Espero que tenham gostado, e que possa ajudá-los !
Não se esqueçam de compartilhar *--*


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Franz Kafka e o análise do texto " Diante da lei"

Povos e povas !

Eu tenho guardado alguns textos que já utilizei e que podem ajudar quem estiver fazendo pesquisas. Agora não sumi tanto viram só ?

Pois bem, vou começar com essa biografia do pensador Franz Kafka.

FRANZ KAFKA

Franz Kafka nasceu em 3 de julho de 1883, em Praga, cidade que na época pertencia à monarquia austro-húngara. Filho de um abastado comerciante judeu, Kafka cresce sob as influências de três culturas: a judaica, a tcheca e a alemã.
Em 1920, Kafka abandonou seu emprego em uma companhia de seguros por razões de saúde. Havia contraído tuberculose. Nos anos 1920 e 1921, Kafka relacionou-se com a escritora tcheca Milena Jesenká-Pollak, mas seu grande amor foi por uma mulher que conheceria apenas no final de sua vida, Dora Dyamant. 
Formado em direito, trabalhou sempre em cargos burocráticos. Solitário, com a vida afetiva marcada por irresoluções e frustações, Kafka nunca atingiu fama ou fortuna com seus livros, na maioria editados postumamente.
Morreu no dia 3 de junho de 1924, num sanatório perto de Viena, onde internara-se com tuberculose. Desde então, seu legado – resgatado pelo amigo Max Brod – exerce enorme influência na literatura mundial.

OBRAS
A Metarmofose (1916) narra o caso de um homem que acorda transformado em gigantesco inseto; O Processo (1925) conta a história de um certo Josef K., julgado e condenado por um crime que ele mesmo ignora; n’O Castelo (1926), o agrimensor K. Não consegue ter acesso aos senhores que o contratam. Essas três obras-primas definem não apenas boa parte do que se conhece até hoje como “literatura moderna”, mas o próprio caráter do século “kafkakiano”.
Autor de várias coletânias de contos, Kafka escreveu também a avassaladora Carta ao Pai ( 1919) e centenas de páginas de diários. Deixou inacabado o romance Amérika.

Livro O Processo:
No dia em que completava 30 anos de idade, enquanto esperava o café da manhã, o empregado de banco Josef K., foi surpreendido por dois inspetores que, sem nenhum motivo explicíto, lhe deram ordem de prisão.
A princípio, o pacato K. Imaginava que tudo não passasse de um equívoco. Aos poucos , porém, o caso de K. se complica. Na tentiva e compreender os meandros do processo, Josef K. conversa com advogados, estudantes, industriais, pintores, comerciantes e por fim, com um sacerdote – todos de algum modo funcionários do tribunal.
Com uma espantosa capacidade de conferir realidade a fatos aparentemente muito estranhos, Franz Kafka ( 1883 – 1924) contrói um universo ficcional em que os tradicionais conceitos de culpabilidade e inocência valem menos do que o próprio funcionamento da Lei – indiscernível, acima da vontade e do entendimento dos homens.
Muitos críticos interpretam O Processo como um romance metafísico, sobre o problema do Mal. Outros o veem coo alegoria das modernas sociedades de controle, em que todos estão submetidos a uma lógica cega. Que cada leitor julgue o livro por si.
Outras Obras:
- Preparativos de casamento no campo
- Na colônia penal
- Um artista da fome 
- A Muralha da China

Análise do Texto “ Diante da Lei “
KAFKA, no capítulo denominado "Diante da Lei" por Modesto Carone, estabelece um interessante e intrigante diálogo entre K. (o personagem principal do livro "O Processo") e um determinado sacerdote.
Analisado o texto, constatamos que se trata de uma parábola em que se destaca a dificuldade que tem o cidadão comum para ter acesso ao Poder Judiciário. Isto é revelado pela imensa dificuldade em interpretar ou compreender a mensagem expressada pelo porteiro que estava diante da lei (ou tribunal).
          O homem do campo que se dirigiu ao porteiro e pediu para entrar na lei recebeu como resposta que a entrada não seria admitida de imediato, sendo possível a admissão posteriormente. Como está referido no texto, "o homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele".
O sacerdote, conversando com K., revelou-lhe que duas seriam as interpretações possíveis acerca da suposta negativa expressada pelo porteiro, a saber: uma primeira interpretação seria no sentido de que o porteiro (ao contrário do que K. pensou inicialmente) não haveria enganado o homem do campo, porque teria negado a ele apenas inicialmente o devido acesso à lei, de vez que ao final da conversa deixou dito que ninguém mais poderia ser admitido na porta da lei, pois esta entrada estava destinada somente a ele (homem do campo); já a segunda interpretação, que também contraria o entendimento inicialmente firmado por K., era no sentido de que o enganado seria justamente o porteiro, interpretação esta que parte da ingenuidade do porteiro, que não conhece o interior da lei, mas somente o caminho que precisa percorrer continuamente diante da entrada.
O que se constata do texto, pois, é a existência de mais de uma interpretação possível para a questão do acesso à Justiça.
Fato é que se o homem do campo tivesse interpretado corretamente a negativa inicial do porteiro, o que não ocorreu, teria tido acesso posterior à lei ou à justiça, pois o encerramento da parábola é no sentido de que ali ninguém mais poderia entrar a não ser o próprio homem do campo, dado que a ele estava reservado aquele espaço.
          Como se vê, o texto revela as dificuldades que surgem nos relacionamentos humanos diariamente, tudo porque às vezes não desvendamos corretamente as mensagens transmitidas por nossos interlocutores.
Isto também ocorre com as mensagens normativas (até com bastante freqüência), razão pela qual resolvemos, a partir das idéias destacadas por KAFKA, apreciar criticamente o princípio constitucional explícito do amplo acesso à jurisdição, porquanto todo aquele que se achar DIANTE DA LEI deve ter acesso direto a ela, sob pena de não se viver, ainda que formalmente falando, em um regime de Estado de Direito.


Fontes: 
http://www.lpm.com.br/site/default.asp?TroncoID=805134&SecaoID=948848&SubsecaoID=0&Template=../livros/layout_autor.asp&AutorID=628162

: http://jus.com.br/artigos/773/franz-kafka-e-o-dificil-acesso-a-protecao-jurisdicional#ixzz2w00oPRf5






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terça-feira, 30 de julho de 2013

Livro: " O Alienista "

Livro: O Alienista

Ficha Técnica

Autor: Machado de Assis
Editora: AudioLivros / L&PM entre outras
N° de páginas: 96 em média

Resenha

Machado de Assis trouxe aos leitores sua opinião sobre o Brasil da época em que vivera. A burguesia é extremamente destacada neste contexto.

Sr. Simão Bacamarte, homem de bem, inteligente e boa hierarquia, casou-se com D. Evarista, senhora simples, como descreve. Constituindo familiar comum (burguesa) à sociedade, Bacamarte frusta-se diante das tentativas fracassadas de ter um filho.

Este porém, desvia-se em ampliar seus conhecimentos à medicina, logo passa a estudar e cuidar da área psicológica, da psiquiatria. Usando de suas influências, consegue permissão para construir a Casa Verde, lugar onde posteriormente seus pacientes, serão internados.Padre Lopez seu amigo, faz-se importante figura na mesma.Nesta, encontram-se loucos, dementes das várias hierarquias.

As famílias estavam felizes em ver seu ente recebendo tratamento adequado e mais ainda, orientação religiosa.

Assustadoramente, a grande Casa Verde parecia não suportar tantos pacientes, em um curto prazo, sendo necessária a incrementação de mais algumas alas. Logo revela-se um mistério, pois não se imaginava haver tantos loucos numa única cidade.

Recomendo a estudantes de direito e psicologia, mostra-se um livro de grande análise da mente humana, de suas fraquezas, de suas vitórias, um clássico para da literatura Machadiana.



domingo, 30 de junho de 2013

Livro: O Jornal Jequitinhonha e a Guerra do Paraguai

Livro: O Jornal Jequitinhonha e a guerra do Paraguai

Ficha Técnica:
Autor: Maria de Lourdes dos Reis.
Editora: Edições Cutiara
N° de Páginas: 143

Resumo do Livro
1-       O Jornal Jequitinhonha

Esta obra tem o objetivo de fazer a leitura e interpretação do jornal O Jequitinhonha, da cidade de Diamantina, cujo o digirigente era o jornalista Joaquim Felício dos Santos, e seu sobrinho Antônio Felício dos Santos no período da Guerra do Paraguai. O jornal era algo republicano, críticava e noticiava sobre a corte. Joaquim era totalmente oposto ao governo de Dom Pedro II, devido à Revolução Liberal de 1842.

Era um seminário dominical tipo tabloide, na medida 36cm por 28cm que circulou de 1860 a 1873. Procurava prestar serviços à comunidade local, anunciando fugas de escravos e prêmios por sua captura, o desaparecimento de animais, objetos perdidos, celebração de missas fúnebres, serviços locais e publicação de poemas a pedidos.

O Jornal lutava com palavras contra a Monarquia e a favor de uma mudança política e administrativa no país, com a implantação do regima republicano. O Jornal era polêmico, direcionado à elite intelectual, aos mais interessados pelos problemas brasileiros.
As coleções existentes do Jornal o Jequitinhona encontram-se na Hemeroteca de Minas Gerais, pertencente ao Arquivo Público Mineiro (1868 e 1869), e duas coleções completas na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Nas primeiras edições Joaquim se pôs a escrever sobre a história de Diamantina, um grande legado deixado para a cultura Brasileira.
Em seguida escreveu o romance “Acayaca” história romantizada sobre a fundação de Diamantina, com forte presença do indígena.

O Jequitinhonha além de republicano, era ainda anticlerical. Criticava muito o clero, e tinha uma proposta abolicionista, colocando-se como defensor dos escravos. Denunciava ainda o quanto a Província de Minas vinha sofrendo com o autoritarismo e a exploração de suas riquezas, desde os tempos da colônia.



2-        Joaquim Felício dos Santos

Joaquim Felício dos Santos nasceu em 01 de fevereiro de 1828, na Vila do Príncipe ou Comarca do Serro Frio – atual cidade do Serro, nas cercanias de Diamantina, filho de tradicional família de proprietários de terras. Estudou Direito na cidade de São Paulo, na Academia Jurídica do Largo de São Francisco, sendo colega e contemporâneo de José de Alencar.

De volta a Minas, radicou-se em Diamantina, por volta de 1850 e dedicou-se à advocacia e ao ensino. Como advogado, tornou-se um nome respeitável na área jurídica por substanciosos pareceres jurídicos que emitia para diversos pontos do país. Também atuava como defensor de pessoas humildes, desprovidas de recursos e até escravos.

Na área do magistério lecionou história, geografia, francês e matemática, no Ateneu de São Vicente de Paulo, o mais importante centro de educação do norte mineiro, nesta época, e também no Seminário Episcopal de Diamantina.

Integrou-se na corrente de ideias liberais juntamente com seus irmãos e abraçou um programa libertário, liderado pelo político Teófilo Otoni e outros membros do radicalismo liberal mineiro.
Juntamento com seu cunhado Josefino Vieira Machado, o Barão de Guaicuí, Joaquim Felício publicou o primeiro número de O Jequitinhonha, que circulou em 30 de dezembro de 1860, sendo editor Geraldo Pacheco de Melo.

Joaquim foi representante da Sociedade de Homens de Letras de Minas Gerais, foi um dos criadores da Sociedade Patrocínio de Nossa Senhora das Mercês, cujo objetivo era auxiliar na emancipação de escravos.

Em 1878 foi convidado pelo Gabinete da Justiça, para elaborar o Código Civil Brasileiro que prontamente atendeu, dedicando por  três anos ao assunto. Em 1881, apresentou ao Ministério da Justiça os “ Apontamentos para o Projecto do Código Civil Brazileiro”quem encaminhou à Corte e imprimiu-o na “ Tipografia Nacional”. Este foi lido e relido sendo protelada sua aprovação. De 1884 a 1887 continuou o trabalho e apresentou outro texto “ Comentários ao projeto do Código Civil Brasileiro”, publicado em cinco volumes porém não aprovado pela comissão indicada para a elaboração do Código Civil.

O governo agiu pesadamente sobre Joaquim Felício, o mesmo acabou desiludido com a vida nacional e adoentado, retirou-se para o Distrito de Biribiri, onde ele e seus irmão fundaram a Fábrica de Fiação e Tecidos do Biribiri Santos & Cia.

Veio a falecer em 21 de outubro de 1895, convertido ao catolicismo, sendo enterrado neste mesmo local na Igreja do Sagrado Coração.
Em 1902, a República, em agradecimento aos seus trabalhos sem nenhuma remuneração, concedeu à sua viúva, através do Congresso Nacional, a pensão de 500$000(quinhentos mil réis) que, no entanto, nunca se efetivou. O arcebispo de Diamantina, D. Joaquim Silvério de Souza, em 1910, escolheu-o como patrono de sua cadeira na Academia Mineira de Letras, em reconhecimento ao grande intelectual e escritor que foi.

Anos mais tarde, surgiu o Código Civil Brasileiro, de autoria do jurista Clóvis Bevilacqua, que continha “ muita matéria extraída do “Projeto de Felício dos Santos”.

3 - Guerra do Paraguai

A bibliografia da Guerra do Paraguai é muito variada, dividindo-se em obras que se colocam a favor ou contra o episódio.

A primeira versão, de tendência tradicionalista, é defendida por militares que se dedicaram a escrever sobre esse conflito. Para eles, as causas da guerra estariam diretamente ligadas à personalidade megalomaníaca de Solano López, associada à sua vaidade pessoal e seu temperamento violento. Ele teria buscado pretextos para iniciar a sua grande aventura militarista e atentatória à soberania dos povos do extremo sul da América Latina.

Numa segunda versão, o Paraguai é visto como o líder da causa da unidade hispano-americana, em continuidade à lutas contra o domínio espanhol e defensor de uma linha de desenvolvimento distinto do restante da América. Seu principal mentor é o escritor argentino José Maria Rosa. Ele acredita que Solano López é o herdeiro legítimo da luta pela cousa hispano-americana, sucessor de Artigas, Bolívar, San Martin e Rosas, que batalharam pela liberdade da América e o Brasil imperial. José Maria rosa coloca-se em sentido contrário ao da historiografia tradicional e oficial e "procura dar voz aos vencidos" ( SALLES, 1990:22). Para Rosa, Solano López tinha o projeto de uma nação forte e unida no Rio da Prata, em oposição ao Brasil, que herdará a política de intervenção portuguesa no Prata e a reproduzia, contra seus vizinhos hispânicos.

A terceira versão procura fazer uma revisão da Guerra do Paraguai, defendendo a opinião de que as causas do conflito estariam assentadas nas pressões do imperialismo inglês, usando o Brasil e a Argentina para tentar destruir a via de desenvolvimento autônomo paraguaio. Esta visão, também conhecida como "revisionista", pretende fazer a revisão da história da Guerra do Paraguai, dentro de um viés marxista e é defendida pelo historiador argentino Leon Pomer, que tem como seguidor mair próximo o jornalista brasileiro Julio Chiavenatto com sua obra" Genocídio Americano". Esta tese parte do principio de que a guerra tem suas origens na expansão do capitalismo, notadamente, o inglês.

4-  Jornais Brasileiros

Abaixo alguns jornais brasileiros que anunciavam sobre a Guerra do Paraguai:

- Opinião Liberada 
- Semana Illustrada
- Diabo Coxo
- A vida Fluminense
- Paraguay Illustrado

Em Minas Gerais durante o segundo Reinado circularam os jornais:

de Diamantina
- O Voluntário (1865)
- O Jequitinhonha (1863 a 1877)

de Ouro Preto
- O Conservador de Minas (1870)
- Constitucional ( 1866 a 1868)
- Diário de Minas ( 1866 a 1868)
O Liberal de Minas ( 1868 a 1870)
Noticiador de Minas ( 1868 a 1870)

de Campanha
- O Sapucahy ( 1864 a 1869)
- O Planeta do Sul ( 1865)
- O Conservador ( 1869)

de Três Pontas
- O Despertador (1863 a 1865)

de Juíz de Fora
- O Pharol (1870)


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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Resumo " Segurança Jurídica e Crise no Direito"

Gente da Terra !
Esse é outro resumo que fiz, mas pra outro amigo. Esse não ficou tão bom porque fiz com muita pressa, ele tinha que entregar no mesmo dia ! Mas vai ajudar os estudantes de direito que precisarem ok ?
É também pra não perder o trabalho rs.

Obs: Parte do texto não é de minha autoria, mas também de estudantes e professores de direito, que achei na internet. Créditos.

Livro: SEGURANÇA JURÍDICA E CRISE NO DIREITO

Ficha técnica:

Autor: Ricarlos Almagro Vitoriano Cunha
Editora: Arraes
N° de páginas: 86

Resenha:

Introdução

Aos estudantes de direito cabe analisar para futura utilização o fato do Direito hoje, passa por grande revolução com ciência. Esta envolta da restrição da liberdade humana, dentre valores a serem resgatados ou necessariamente perdidos para  que o homem moderno  caminhe ao lado do “ mundo da vida” e não sobreposto a ele.
“Durante muitos anos o ensino jurídico foi reduzido a uma condição meramente técnica”. Uma das bases em que o Direito não se relacionava com outras áreas, filosofia, economia, de fundamental capacitação aos alunos para envolver-se em diversos casos de natureza humana, muitos com necessidade de extremo entendimento da ação.
Dar-se-a uma proposta que conflita com a nossa intuição natural de que a ausência de uma sistema jurídico que nos confira previsibilidade de comportamentos no âmbito social confere inconsistência sistêmica e diminui o seu potencial de regulação de condutas, resultando numa crise que parece caminhar juntamente com a própria idéia de segurança.
Ajuntando-se à crise as grandes narrativas metafísicas de cunho religioso, mesmo sem que se perca Deus dos discursos  filosóficos, dão lugar ao irromper de uma nova atitude no âmbito da relação do homem com Deus. Ele deixa de ser o prescritor do destino do cosmos, e agora é a própria criatura que explora o âmbito da sua liberdade para construir o seu habitat e determinar o seu modo de vida.
René Descartes, filósofo de influência, fortalece a idéia de mudança apontando algumas verdade que por muito tempo permaneceram inabaláveis e que posteriormente se mostraram completamente equivocadas, tal como a própria centralidade da Terra, afetada pela revolução copernicana. Ele também anuncia o enraizamento metafísico de todo conhecer e agir, mas mesmo a própria metafísica somente pode agora fundamentar-se na descoberta do cogito.
Seguindo a idéia de Descartes sobre o questionamento de Deus e o individuo ele deduz: “ Deus criou sua mente e situou você no mundo. Que tipo de mente Deus lhe concedeu?Obviamente, ele não lhe deu uma mente que alcançasse verdadeiras conclusões sobre o mundo em cada uma e todas as ocasiões. Sua mente não é infalível. Por outro lado, Deus não teria guarnecido você  com uma mente que o conduzisse a falsas crenças sobre o mundo, não importa quão cuidadosamente você use a sua razão ou considere as evidências . Se Deus tivesse  agitado assim, ele teria sido um enganador.Deus nos criou com mentes que têm a capacidade de atingir verdadeiras crenças sobre  o mundo. Nós não somos nem infalíveis, nem somos desesperançosamente enganados por falsidades. Ao invés disso, nós estamos em algum lugar mediano: nós podemos alcançar crenças verdadeiras se nós formos cuidadosos ao usar as mentes que Deus nos concedeu.”
Partindo para Edmund Husserl, que na conferência de Viena, intitulada “ A crise da humanidade européia e a filosofia” toma a ideia de crise e renovação, motivadas pelos problemas que o filósofo vivenciava na Europa novecentista, suas reflexões podem facilmente ser expandidas para além de suas fronteiras no espaço e no tempo.

Formalismo Jurídico

Noberto Bobbio vê o formalismo jurídico como uma concepção do Direito que o “explica exclusivamente em função da sua estrutura formal, prescindindo completamente do seu conteúdo – isto é, considera somente como o Direito se produz e não o que ele estabelece”.O núcleo de sua definição está centrado em um ideal positivista de pureza, que pretende expurgar qualquer valor de ordem moral ou extralegal do âmbito do teste de validação e reconhecimento de que se pode assumir como Direito.
Na seqüência, Luiz Alberto Warat, põe a questão em termos de um contraponto entre as terias formalistas ou racionalistas  e as realistas ou antirracionalistas. Colocadas as coisas  nesses moldes, é fácil notar o apelo natural às teses formalistas, em face da sua vinculação ao postulado da racionalidade, da qual derivaria um ordenamento jurídico dotado de coerência e completude.
Resumindo o conceito de formalismo jurídico, fazemos referência  àquela concepção do Direito que se enclausura em um corpo de idealidades formal-normativas, em que o papel da facticidade é sonegado ou reconduzido a um plano secundário.

Segurança Jurídica


Renovar não seria inovar, mas a retomada de um projeto a partir de um novo rumo , que mais se caracteriza como um regresso, uma repristinação; jamais, como disse, um abandono da racionalidade, o que é confirmado pelo convencimento de Husserl de que a crise se radica em um extravio do racionalismo, o que não nos autoriza a “ crer que a racionalidade como tal é prejudicial ou que na totalidade da existência humana só possua uma significação subalterna”.
A Husserl parece que a crise da humanidade é derivada de uma crise da ciência, que na Modernidade se lançou à tarefa infinita de um conhecimento matemático do mundo natural (o que fez com grande desempenho), porém, assumindo a unidade da razão, imaginou que pudesse enfrentar o mundo espiritual do homem com o mesmo proceder.
O Estado Democrático de Direito pressupõe uma ordem jurídica em que se garantam importantes instrumentos para a defesa dos particulares em face do Poder do Estado. Os direitos e garantias individuais se apresentam como a maior defesa dos cidadãos em relação ao Estado. A própria existência de um ordenamento jurídico, com a previsão de preceitos normativos gerais, impessoais e abstratos, presta serviço à Segurança Jurídica, uma vez que em geral há regras previamente definidas para a resolução dos conflitos de interesses. A segurança jurídica é um direito fundamental do cidadão. Como se trata de uma cláusula aberta, o seu conceito é indeterminado, mas é perfeitamente possível esclarecer o que é. Aliás, é característica dos princípios serem cláusulas abertas, o que causa vez ou outra alguma dificuldade na sua aplicação ou compreensão. Os princípios são, na verdade, mais facilmente sentidos do que conceituados.
A segurança jurídica é um direito fundamental do cidadão. Implica normalidade, estabilidade, proteção contra alterações bruscas numa realidade fático-jurídica. Significa a adoção pelo estado de comportamentos coerentes, estáveis, não contraditórios. 
Moreso e Vilajosana vinculam o ideal de segurança jurídica à função que exerce sobre os destinatários das normas , no sentido de dar-lhes antecipadamente o conhecimento dos comportamentos que lhe são proibidos, obrigatórios  ou permitidos, e, com isso, a segurança cumpre o seu papel  de planificação  das condutas, ao estabelecer previamente as consequências jurídicas que lhe advêm, ou seja, é um conhecimento que pode orientar o agir. Partindo dessa premissas , algumas condições são necessárias para que esse ideal seja alcançado: a) que as normas seja claras; b) que sejam conhecidas; c) que o Estado as cumpra e as faça cumprir.
Liberdade

Liberdade é o estado no qual se supõe estar livre de limitações ou coação, sempre que se tratar de agir de maneira lícita, de acordo com princípios éticos e legais cristalizados dentro da sociedade.
Pensar o Direito, é pensar a Liberdade. Fazer agir o Direito, é viver a Liberdade. Intrinsecamente ligados, mister é que se faça valer o direito à liberdade dentro dos parâmetros e paradigmas do Direito, isto é, temos o direito de nascer, crescer, estudar, comer, morar... e morrer. Esses direitos são necessários para se encontrar, de uma forma ou de outra, os caminhos, as metas e os objetivos de cada indivíduo - tanto para o bem, quanto para o mal -, ou seja, a liberdade será determinada pelos seus princípios de "direito": o errar e o acertar.
A liberdade, antes de tudo, deve ser vista com responsabilidade. A responsabilidade de nossos atos é fator sumamente importante para que possamos fazer jus a "essa tal liberdade"...

A crise do direito
O passar do tempo, os cursos de direito ampliaram significativamente suas funções, em correlação aliás com o aumento da complexidade da sociedade contemporânea. Como cursos profissionais que são, destinam-se hoje à formação de bacharéis para o exercício de atividades públicas e privadas as mais diferentes na área jurídica.

Costuma-se falar em uma crise direito que se traduziria igualmente em uma crise do ensino jurídico. Sem falar, globalmente, na própria crise do modo jurídico de regulação social, trata-se das novas problemáticas e demandas que surgem para a reflexão jurídica neste final de século, assim como também das novas modalidades de solução dos conflitos jurídicos.

Estamos num momento histórico muito especial da evolução da filosofia do Direito e da Teoria Geral do Estado. Ele trará muitas surpresas para os que, aferrados às categorias de análise produzidas até agora, procuraram entender a crise do Direito com base na velha disjuntiva, a saber: ou tornar o Direito impulsionador da liberdade e dos direitos humanos fundamentais, que se superpõe inclusive à lei – de um lado – ou submergi-lo (como instrumento de “opressão de classe”) na frigidez “amoral” do sistema normativo, tido este como sistema legal escrito, garantido pela coerção estatal.
A crise de um deles, do Estado tipo “soviético”, foi resolvida em setenta anos, pois seu pressuposto real não era, na verdade, o homem concreto criado por milhares de gerações que se sucederam na opressão e na desigualdade, mas o idílico homem imediato e moderno, extraído de uma concepção metafísica da classe operária, encontrada nos textos de agitação escritos por Marx.

A outra crise – por basear-se numa visão cética e realista do ser humano, cujo analista mais qualificado é Norberto Bobbio – é mais lenta, mas nem por isso menos conflitiva ou profunda. O Estado de Bem-Estar é, de certa forma e em certa medida, uma resposta à distância existente entre a norma jurídica abstrata (produzida pela “irmandade” proletário-burguesa contra os privilégios e a servidão), de um lado, e, de outro, os direitos públicos e individuais de caráter subjetivo (que se tornam meras pretensões sem qualquer eficácia social).

A lógica “natural” do desenvolvimento tecnológico infinito do capitalismo propõe, então, de maneira aguda, duas racionalidades completamente distintas. De um lado, a de democratização radical do controle máximo da sociedade sobre o Estado e, de outro, a da barbárie “burocrático-informática”, de controle dos monopólios sobre a vida pública e privada. Esta segunda hipótese choca-se com os interesses materiais e espirituais de uma maioria cada vez mais evidente, pois o grupo social, capitalista e tecnocrático (dentro e fora do Estado que controla o poder real no topo da sociedade capitalista monopolista informatizada), necessita romper com a possibilidade de uma racionalidade humanizadora, que é a menor das alternativas do modelo atual. Precisa romper com o Estado de Direito democrático através do qual a burguesia moderna firmou sua hegemonia, porque este Estado de Direito, hoje, ampara pretensões de Direito demasiadamente sólidas dos cidadãos comuns e dos setores capitalistas não monopolistas, que são custosas em demasia. Prejudicam a acumulação acelerada, capaz de criar uma massa de capital privada, apta para financiar a mais radical revolução industrial que a humanidade jamais viveu: a revolução da supressão do trabalho industrial e da liquidação do proletariado como classe indispensável ao processo produtivo.

A forma pela qual aparece a “reforma” do Estado necessária para mediar este processo econômico-social – luta pelo esvaziamento de suas funções reguladoras e pela diminuição de seu “tamanho” – adquire uma especial legitimidade pública face ao corporativismo, imediatismo e pobreza de propostas que caracterizam os trabalhadores do Estado e das estatais. Nada mais próprio para os defensores do Estado mínimo do que a despolitização galopante destes servidores que, face às sucessivas décadas de opressão sal e política- no Brasil – e de integração burocrática e oportunismo político – nos países desenvolvidos, mostram-se impotentes para propor uma reforma do Estado voltada para a defesa dos milhões de excluídos, resumindo as suas lutas à defesa dos seus interesses econômicos imediatos.

O mundo da vida

Husserl acreditava que era preciso uma teoria do conhecimento, uma elucidação do conhecer; era preciso ir à busca dos fundamentos deste conhecimento a fim de permitir-nos compreender a pretensão do conhecimento objetivo que ainda não havia sido esclarecido efetivamente naquela época. A fenomenologia, assim compreendida, significava um novo método na constituição da essência do conhecimento.

O objetivo de Husserl era o de "voltar às coisas mesmas", voltar ao mundo-da-vida (Lebenswelt), ao mundo da experiência. A fenomenologia veio para denunciar este crescente distanciamento entre o mundo da vida e o mundo da ciência. Era preciso resgatar a noção de que o mundo científico é secundário – ele é produzido a partir da própria compreensão subjetiva dos cientistas. O real não é o mundo visto pelos olhos das ciências, mas aquilo que eu experiencio, aquilo que eu vivo A fenomenologia, com estes objetivos, não está criticando a atividade científica propriamente dita, mas denunciado a idéia de que o sentido do mundo é dado cientificamente. A ciência tem muito pouco a nos oferecer no que se refere às questões da humanidade, uma vez que ela deixa de fora as questões essenciais do homem, as questões que dizem respeito ao seu modo de ser, promovendo, assim, o distanciamento entre o mundo que eu experiencio e o mundo que me é dado cientificamente.

Husserl vai apresentar a ciência do “mundo da vida”, reconhecendo o carácter específico desse mundo, apresentando-o na experiência imediata da vida pré-científica. Para Husserl, a primeira operação a realizar é, a já acima mencionada, redução da ciência objectiva, não pondo em causa a sua existência e sem a intenção de viver no mundo sem esta ciência, apenas colocá-la entre parênteses mas continuando a ser um facto cultural, assim atinge-se um plano em que o mundo é considerado tal como é, como o experimentamos na nossa realidade.
O mundo será aquilo para qual remete todo o ente e a partir do qual este se compreende. O individual não nos é dado definitivamente mas como um horizonte que se mantém sempre aberto. É pelo mundo que o ente recebe sentido, este “mundo da vida” é transcendência no aspecto de uma horizontalidade aberta, fundamenta todo o ente e dá orientação ao campo do eu. 





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